Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

E o tédio, esse tumor moderno, se apodera de mim. Meus pensamentos não param, não dou um descanso a minha exausta mente, penso as mesmas coisas objetivando outras. Pensamentos cheios e desconexos que nem mesmo seu criador os entende.

Queria sair daqui. Do meio disso tudo, passar um tempo lá fora. Isso tudo se tornou sufocante de uns tempos pra cá. Queria conquistar o mundo mas não boto os pés fora de meu quarto. Queria estar naquela outra faculdade e, tudo o que consegui foi uma faculdade federal de merda com pseudo-cults babacas. Queria ter mais tempo para ver meus amigos. Queria que o tempo parasse naquela noite e tudo fosse como sempre foi. Queria morar num quarto e sala que fosse, mas que fosse um lugar só meu. Pras minhas coisas.

Acho tudo uma palhaçada. Cansado de ouvir que possuo tudo o que alguém precisa para ser feliz. Não é. Não que não queira ser feliz , só não consigo me imaginar tendo os tipos de felicidades que conheço. Não me vejo num domingo numa casa de praia com uma estranha que me chama de amor e dois melequentos que são a minha cara.

Por isso escrevo. Escrevo pois sei ser a escrita a minha melhor droga. Droga esta, única que consegue resolver e aplacar minhas dores.

Mas deixe estar, esse garoto que hoje tem vergonha dos pés, um dia pisará passos seguros pois quando um homem pisa o chão, da maneira que o faz, já diz quem é.

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Teoria da Evolução


Penso eu que já usei a expressão "penso eu" muitas vezes. Mais do que deveria. Dizem que somos fruto do meio em que vivemos, talvez seja por isso. Parece que retrocedemos à época iluminista. Todo mundo tem muita coisa pra dizer, todo mundo pensa muita coisa sobre tudo e todo mundo tem um pitaco inteligente pra dar.

O engraçado é que, ao mesmo tempo em que sabemos de tudo, somos ignorantes convictos. E digo isso porque nossos anseios e medos continuam os mesmos de nossos pais e avós. Nossos fantasmas pessoais e coletivos continuam a rondar-nos. Nós, geração-touchscreen, geração-saúde, detentores de canudos e milhões horas extra-curriculares, geração que mais evoluiu em pequeno espaço de tempo, não sabemos nada.

Onde nós vamos parar? Nós vamos parar?

ps: Saudades de você Michael! Parabéns pelas aprendizes, Britney e Amy estão mandando bem ;)

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Nem herói nem assassino, nem sei em que esteriótipo estaria incluido. Alias, esteriótipos e clubinhos legais da mochila igual nunca foram meu forte. Sou cheio de manias e hipocondriaco. Por isso, escrevo. Mentira. Escrevo pela mais infantil carência e, digo isso baseado não somente nas minhas experiências mas pelas palavras da minha terapeuta que trata semanalmente a minha criança interior. Criança interior é o cacete né?! Existe coisa mais cafona que a criança interior de cada um?

Não imponho minha pessoa a ninguém, não sou de pedir afeto. Não tenho muitos amigos porque penso ser mais inteligente ser seleto em relação a quem estará perto de mim. Eu posso ser otário mas não sou ridículo. Não sei exatamente o que essa frase significa mas falei semana passada e gostei. Uso pra tudo agora. Alias, no final das contas, a gente acaba adquirindo essas máximas populares que tentam explicar a vida né?

Não me vejo como o cara do comercial de creme dental, nem o quero ser. Sinto-me totalmente despreparado e sem talento para felicidades extremas. Eu, que nenhum talento possuo, vou passar por essa vida como muitos já passaram. Passaram, não viveram. Mas enquanto não passo, não faço suruba. É isso mesmo, não faço suruba. Tenho andado muito ciumento ultimamente e, pra fazer suruba tem que ser generoso, coisa que não sou. Eu sou primitivo, sou possessivo. Pra fazer suruba tem que ter um despojamento da matéria, toda uma coisa de ser. Se fosse nos anos 80, quem sabe. Naquela época suruba era político, tipo fotografar nu. Hoje em dia, é tudo putaria.


Glub.

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

A quem interessar

Vou te falar que sou uma pessoa que cansa fácil. Mas com motivo. Vou te falar que estou de saco cheio dessa mídia estúpida que faz um jornalismo medíocre e manipulado ecoloca minha cidade num estado de calamidade pública. Não que não esteja, concordo que meu Rio de Janeiro não passa por uma de suas melhores fases mas também não é assim. Em meus 18 anos de vida, fui assaltado uma vez e, por pena. Sim, fui assaltado por pena. Não pena de mim, pena do "bandido". O infeliz era tão muquirana que fez questão de levar somente o meu tênis, mas isso não vem ao caso. O ponto em questão é que também estou cansado com essas amebas semi-analfabetas que se escondem atrás de muros sem reboco nos altos dos morros achando que mandam na cidade. Não, não mandam não. Se querem saber, não passam de criaturas arcaicas e homens sem um pingo de senso moral e conhecimentos além do manejar uma arma de fogo. E, que fique claro que, quando digo homens, digo homens com o H mais minúsculo possível, homens no sentido mais simplista da palavra. Do outro lado, estou cansando de ver essa polícia mal paga e desgostosa de me servir. Não que eu precise porque, sem medo de parecer arrogante, nunca me coloquei em situações onde precisasse da mesma e, ao mesmo tempo, cumpro com meus deveres de cidadão para que, quando um desses políciais resolver trabalhar e "aleatoriamente" resolver me revistar, não ter que desembolsar 1 real que seja de propina para aumentar o faturamento diário dos nossos heróis. E que não achem que penso melhor dos portadores do canudo e desprovidos de um pingo de ética, vomito no mesmo balde.
Ligar a TV também me cansa. Além de uma programação voltada para menos afortunados intelectualmente, me inspiro em Marvin quando penso que me dá dor de cabeça só de pensar em me rebaixar ao nível de louras siliconadas que deitam com as pessoas certas e ganham 30 minutos no horário nobre. Me cansa ver bons jornalistas desperdiçando seu talento e produtividade ao passar 1 programa inteiro falando sobre a morte de uma menina de não sei quantos anos. Morte essa que, sinto dizer, não dou a mínima. Milhares de crianças morrem de fome diariamente no Brasil e seus nomes não aparecem na primeira capa do jornal e, pelo que me consta, fome não é nem um pouco menos cruel do que ser jogado pela janela. São vidas se perdendo!
Me cansa essas pessoas ditas moderninhas que se dizem vegetarianas mas não podem ver um loja bacaninha na Pirajá que compram de calçados à bolsas de couro. Como dizia a boa e velha Magda: "-Hipócrates!".
Ando tão sem saco e tão cansado ... tão cansado...

Terça-feira, 29 de Abril de 2008


Cuidado com a moda que a moda te pega.
Te pega daqui te pega de lá.

Quarta-feira, 23 de Abril de 2008


"-Droga de operadora de telefonia! Essa porcaria tá fora de área de novo! Será que ela ligou?" Do outro lado da cidade ela até pensou em ligar mas estava atrasada pra faculdade e segundo ela, se ligasse, ele pensaria que ela quer controlar a relação.

O calhambeque no meio da rua a estressa e ele pensa que o fim do expediente nunca vai chegar. Merda de emprego! Ela vasculha o porta-luvas atrás dos comprimidos.

Ela abre a porta do carro e pede desculpa pelo atraso. Óculos escuros prendem seus cabelos. Cabelos estes que ela quer cortar mas, por enquanto vai mantê-los. Ele diz que tem planos pros dois. Um plano pra depois. Mas, na verdade, agora ela só quer conversar. Não quer saber de viagem à Europa, não quer saber da monografia interminável, não quer saber das contas à pagar.

E no seu apartamento ela se esquecia de tudo, parecia uma princesa. Nao se importava com o resto do mundo e largava os pés em cima da mesa. Segurava o seu coração e largava as roupas pelo chão.

Ela só quer conversar. O tempo, a cidade, o trânsito e o calor. É a vida urbana sem o amor.

Inspirado em Ludov

Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

A arte de crescer

Crescer. O que será que determina o nível de crescimento de alguém? Graças às lições diárias dessa vida, posso lhes garantir que os anos não são a resposta óbvia.

Um dia acordei e conclui que existe sim uma diferença, por menor que seja, entre dar as mãos e dar os corações. Conclui que amar não significa explorar e que, se sou amado, não significa que estou seguro. Nesse contexto, realizo que beijos não são alianças eternas e palavras, muito menos.

Acordei naquele dia com outros olhos e passei a enfrentar meus problemas de frente. Não com o medo de uma criança, mas com a flexibilidade de um adulto. Passei a atuar no presente para tomar as rédeas do meu futuro porque lá fora é uma selva e, sinceramente, eu cansei de me ajustar. Vou fazer o meu, do meu jeito.

Daquele dia em diante, fundamentei minha tese em minhas experiências de vida de que, não importa o quanto você dê coisas boas ao mundo e a todos que estão ao seu redor, existem SIM pessoas ruins e, temos SIM que ter cuidado com elas.

Descobri que os amigos são parte fundamental de nós mesmos. Junto à isso, conclui que eles irão um dia nos machucar e que devemos perdoá-los por isso afinal, vai saber o quanto não já os machucamos sem saber!?

Aprendi então que sou totalmente fruto do meio em que vivo mas, sou totalmente responsável por quem sou e que não devo me comparar com os outros e sim, com o melhor que posso ser.

Me resignei ao saber que o mundo realmente não se importava se meu coração estava em pedaços ou se eu era o queridinho da América, as pessoas não se importam.

Lembrei daquele cara que eu chamo de pai e aquela coroa que um dia me amamentou e percebi que 90% do que sou, está neles. Aquele pentelho que dorme no quarto ao lado do meu é o cara mais legal do mundo e que, querendo ou não vai estar comigo para sempre.

Com o perdão da palavra, digo que nossas dúvidas são foda e nos fazem perder o bom da vida que poderíamos ter se não tivessemos medo de tentar.

Naquela manhã de sol escondido e cortina movimentada, aprendi que a maturidade tem mais a ver com a minha relação com meus sentimentos diante das experiências vividas do que com quantos aniversários comemorei.

Inspirado em William Shakespeare